11 de abr. de 2026

O Silêncio da Rã: A Arquitetura do Nosso Cansaço

Vivemos em um tempo onde a sensação de liberdade é, ironicamente, o nosso maior sistema de controle. Olhamos para o lado e vemos serviços essenciais — da água que bebemos ao correio que entrega nossas memórias — sendo fatiados e vendidos sob a promessa de uma eficiência que raramente chega à ponta final. Mas o que quase não se discute é como essa "ineficiência do Estado" é, muitas vezes, um projeto de engenharia.

O roteiro é repetitivo, mas eficaz: primeiro, retira-se o investimento e o fôlego da empresa pública. O serviço piora, a fila aumenta, e o cidadão, já exausto por uma rotina de sobrevivência, passa a desejar a venda daquilo que é seu. É a síndrome da rã fervida. Não percebemos que estamos perdendo patrimônio porque a temperatura sobe grau a grau, camuflada por uma retórica política que domina os meios de comunicação e simplifica problemas complexos em frases de efeito.

Essa "limpeza" do público para o privado não visa a universalização, mas o lucro imediato. Grupos de capital transnacional, após exaurirem mercados em países desenvolvidos — que hoje já fazem o caminho de volta para a reestatização ao perceberem o erro — buscam novas fronteiras. Eles exportam modelos que já falharam, vendendo-os como modernidade para nações onde o ensino foi sucateado para não formar cidadãos, mas sim engrenagens que não questionam quem segura a alavanca.

E agora, temos um novo carcereiro: o algoritmo. As Big Techs não apenas transmitem a informação; elas moldam o que sentimos. Em uma era de pós-verdade, o debate técnico sobre logística ou saneamento morre na praia da polarização. Enquanto brigamos por cores partidárias nas redes sociais, as instituições — Parlamento, Judiciário e Executivo — operam em um sistema de castas e servidão, onde o representante do povo deve mais ao dono do seu partido do que ao eleitor que o colocou lá.

A mudança parece impossível porque o sistema aprendeu a se auto-sustentar. O controle não precisa mais de repressão policial constante (embora ela esteja lá, pronta para agir se a corda esticar); ele conta com a nossa própria apatia. Criamos uma sociedade onde quem tenta "furar a bolha" e buscar alternativas, como pedagogias que libertam o pensamento ou modelos de gestão comunitária, é ridicularizado pelos seus iguais.

Ter esperança nesse cenário é um ato de resistência. Não é uma esperança ingênua de que tudo mudará amanhã, mas a compreensão de que a consciência é o primeiro passo para a ruptura. Questionar o que se lê, entender a quem interessa o nosso ódio e proteger a nossa capacidade analítica do bombardeio digital são as pequenas sementes de uma mudança que, talvez, não vejamos hoje, mas que é a única forma de garantir que o coletivo não seja totalmente devorado pelo privado.

O sistema quer que você desista. Continuar questionando é a única forma de não ser apenas mais um dado processado por eles.


20 de jul. de 2025

Saudade sorriso

Em ondas de lembranças, eu me perco
E encontro pedaços de um amor que ficou
Mas em vez de dor, eu sinto um sorriso
Que brota de dentro, como um sol que raiou

A saudade não é mais um peso
Mas uma lembrança que me faz sorrir
Eu celebro a vida que compartilhamos
E a alegria que ainda posso sentir

Na saudade, eu encontro a beleza
De um amor que não morre, não se apaga
É um fio que nos liga ao passado
E nos faz apreciar o presente que temos

Eu sorrio ao lembrar
Dos momentos que compartilhamos
E embora a saudade seja forte
A alegria é o que me resta

3 de fev. de 2024

Tempestade

Querida tempestade, Você é a força da natureza que me fascina e me assusta ao mesmo tempo. Você é a manifestação da beleza e do poder que me faz sentir vivo e pequeno. Você é a música que me acalma e me agita, o ritmo que me envolve e me surpreende. Eu amo a forma como você se anuncia com os seus trovões, como você ilumina o céu com os seus relâmpagos, como você molha a terra com a sua chuva. Eu amo a forma como você muda o clima, o humor, a paisagem. Eu amo a forma como você me desafia, me inspira, me transforma. Você é a minha paixão, a minha aventura, a minha poesia. Você é a minha tempestade, a minha amante, a minha arte. Com amor, Seu admirador